Sunday, July 8, 2007

MAGIC

Tenho um fascínio grande por esses surpreendentes performers que são os malabaristas, os contorcionistas, trapezistas, homens-estátua, e também pelos ilusionistas (embora diferentemente) e tudo o que respeita à prestidigitação. Isto apesar de nunca ter sido uma grande espectadora de circo (talvez por causa dos palhaços de circo, que nunca me fizeram rir). É um fascínio sem história, qualquer coisa de que me vou esquecendo de falar, e quando de repente dou por mim a mencioná-los, os meus amigos olham-me espantados, dir-se-ia que não me vêem nesse lugar simbólico, ou que me acham velha demais para me interessar por essas coisas, ou intelectual demais, o que ainda é pior.
E contudo, um mágico e a sua assistente é a possibilidade de dupla mais sexy que conheço. Aquela suspeição permanente, de que há entre o ilusionista e a sua partenaire mais do que uma mão cheia de truques e umas coreografias (às vezes as partenaires parecem aquelas assistentes dos concursos de televisão que mostram os prémios que os concorrentes poderão ganhar se tiverem sorte como o caraças). Aquela dúvida, reforçada pela notória cumplicidade entre o prestidigitador e a sua assistente, dúvida quanto à verdadeira extensão da relação entre os dois, dúvida quanto à natureza dos sentimentos que terão um pelo outro - dúvida. É essa incerteza que mantém aquela tensão, enquanto o mágico faz sair coisas das mangas da camisa, ou mesmo das mãos, nos casos em que o mágico é mesmo bom - e a partenaire dança ao lado ou atrás dele, de fato de banho e collants. Dúvida também quanto ao modus faciendi dos truques, e será que a assistente sabe ou não perfeitamente como é que o mágico engana o público, e tal, e tal. Dúvida. Irá a assistente sozinha para casa depois do final do espectáculo? Terá marido e filhos, e gente à espera dela em casa? E o mágico? Terá uma vida lá fora?
Há um mágico que adoro: o que num pequeno filme da trilogia "Histórias de Nova Iorque" (do próprio W. Allen, se bem me lembro) faz desaparecer a mãe do Woody Allen, que da plateia passa para uma caixa daquelas de cortar o espectador ao meio, e depois para o céu de Nova Iorque - onde se dedicará àquela que é a sua actividade preferida: mostrar fotos do filho quando era pequenino, aos transeuntes de Nova Iorque, neste caso.

2 comments:

CG said...

No Circo gosto do trapézio,mas nunca fui a um circo onde ainda houvesse trapezistas.Só vi na televisão e gostava do risco.Para mim essa é a grande magia!

alice said...

antes a arena desse circo do que outras...